Interessante que em meio à crise financeira mundial, ninguém pode negar que o jogo político continua. O tabuleiro estratégico é vivo, com seus atores sempre em movimento.
Tanto é assim, que novembro começou com novidades no cenário regional. O Governo Brasileiro começou a dar passos consistentes na intermediação de um possível levantamento do embargo econômico sobre Cuba; e o governo boliviano, depois de expulsar a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), acena com a criação de um empreendimento regional no combate ao tráfico de drogas na região, articulando com Brasil e Argentina as ações necessárias.
Esses episódios caracterizam a tendência de regionalização dos problemas, ou a fragmentação desses, uma vez que os EUA, com seu novo governo, tenderão a uma retração gradual, no que toca à solução dos problemas alheios. Ainda que o narcotráfico seja um problema que lhes afeta diretamente, o menor envolvimento em assuntos domésticos deverá ser a tônica da política norte-americana nos próximos anos.
Essa regionalização traz como conseqüência o papel cada vez mais destacado dos líderes regionais, que é a característica principal desse mundo multipolar, apregoado por muitos analistas estratégicos atualmente. Cabe aqui ressaltar que o Brasil é uma peça importante nesse novo quebra-cabeça das relações internacionais e, por causa disso, nunca foi tão importante para nosso país estar bem com os vizinhos, e não apenas isso, mas ser mais participativo nessa relação.
É dentro desse espírito de boa vizinhança e de antecipação estratégica que o país deve consolidar sua posição regional e sua conseqüente projeção mundial com as aspirações naturais de assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e de desempenhar um importante papel nos demais fóruns internacionais.
Esse momento de crise financeira e de mudanças de paradigmas nas relações com as grandes potências é, na verdade, uma oportunidade dourada de posicionar-se estrategicamente e de fato, como sugeriu o próprio Barack Obama no seu telefonema para o nosso presidente. Para tanto, a palavra-chave é o “comprometimento” da política externa brasileira, postura esperada por todos os vizinhos e, principalmente, por aqueles que já não querem se comprometer tanto com a vizinhança alheia.
O Comprometimento em um Mundo Multipolar
17 de novembro de 2008
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3 comentários:
O texto ficou muito bom, com exceção de um erro grotesco de português no trecho: "Essa regionalização, trás como conseqüência". O correto é TRAZ do verbo TRAZer e não há vírgula no meio da frase, pois é uma única oração. Os jornalistas deveriam estudar melhor sua própria língua, afinal é seu instrumento de trabalho...
O Brasil precisa mesmo estar ligado nisso tudo. São tantos os problemas difíceis e complexos, que o negócio é fazer como a nossa amiga aí, preocupar-se com os erros de portugês (pelo menos até que caiam com uma nova revisão gramatical).
Parabéns pelo texto.
Muito bom o texto e bastante atual. Será que o Brasil conseguirá ser a voz da Venezuela e de Cuba junto aos EUA? Estamos tão próximos assim a ponto de falar por esses dois regimes de excessão?
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