Sun Tzu escreveu que “Os guerreiros de antigamente, primeiro se colocaram fora da possibilidade de derrota e, só depois, esperaram a oportunidade de derrotar o inimigo”. Essas palavras encerram um ensinamento muito importante para o planejamento estratégico.Elas fazem menção ao que hoje conhecemos como caráter defensivo de nossa Política Nacional de Defesa e sua conseqüente “Postura Estratégica Dissuasória”.
Aprofundando um pouco esse tema, à luz do trecho de Sun Tzu, entendemos que, em estratégia, defender-se é colocar-se fora da possibilidade de derrota e, em segurança, preparar as oportunidades e condições para o caso de ser necessário atacar, onde estaria implícita a atitude dissuasória.
Esse tempo de espera, de defesa ou de segurança não é um período ocioso. Dele se vale o estrategista para proteger-se cada vez mais em relação aos ambientes internos e externos, enquanto se prepara para um possível ataque decisivo. O grande pensador estratégico Carl Von Clausewitz dizia que “a defesa não é um simples escudo, mas um escudo constituído de golpes bem dirigidos”. Só se concebe uma postura defensiva se essa estiver impregnada de capacidade de ataque, ou não haverá dissuasão.
Por isso, quem está a cargo de planejar estrategicamente, em qualquer setor de atividade, deve ter bem clara essa postura. Defender, seja um “status quo”, seja uma empresa, um país, um mercado ou qualquer outra posição, corresponde a uma ação e não ao imobilismo. Quem se defende com espírito defensivo dobra o poder de ataque do oponente. Assim, não é bom confundir caráter e postura com espírito.
Quanto ao aspecto dissuasório, especificamente, se pode extrair um grande exemplo da atitude da cobra que, para atacar, se retrai, transmitindo a curta e rápida mensagem dissuasória: “se deres mais um passo, estarás perdido.” E quem não crê na ameaça da cobra... Em outras palavras, quem quer dissuadir deve, obrigatoriamente, transmitir prontidão e capacidade para atacar, ainda que pareça estar retraindo.
Por último, vai aqui uma abstração... A prática do xadrez, assim como a da caça, deveria ser obrigatória na formação de um futuro estrategista, como era na antiguidade. O xadrez, para aprender a se defender pensando sempre no ataque e, a caça, para acostumar-se às agruras do combate e, principalmente, para exercitar-se na paciência e no senso de oportunidade. O treinamento mais eficaz demanda circunstancias reais.

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