De fato, nossa América do Sul pode ser comparada a uma linda colcha de retalhos, com cores democráticas que oscilam desde o “modelo cubano”, se isso é possível, até o utópico “american way of life”, e que serve de coberta para vários problemas, como as crises energéticas, políticas, sociais e, agora, alimentaria.No entanto, é essa colcha, ao mesmo tempo frágil e bonita, que deverá abrigar a difícil tarefa da integração sul-americana, superando as dificuldades de toda ordem estampadas em cada uma de suas partes.
Não há dúvida de que é complicado para o Brasil estabelecer-se como uma potencia regional onde, historicamente, existem tantas diferenças, tantas necessidades agudas e onde a vizinhança, ainda por cima, teme o predomínio dos matizes verde e amarelo. Por isso, a postura conciliadora e inclusiva do Brasil, frente a todas as pressões, pode ser o preço a pagar por essa integração, que é um objetivo explícito da nossa Constituição.
Para isso, é preciso ser mais claro no discurso estratégico. Afinal, o que quer o Brasil? Qual é o seu objetivo no âmbito regional? Que espera de seus vizinhos? Isso precisa estar claro e combinado. A costura precisa estar reforçada com justeza e objetividade, realçando todas as cores, ao mesmo tempo em que são tapados os buracos e unidos os diferentes tecidos.
Só assim, as posturas de tolerância, de cooperação, de ajuda, de inclusão, etc., serão percebidas como muito mais do que simples boas ações do “Império”. Serão, sim, aceitas como as bases de um novo tempo para toda a região, com liderança confiada, estabilidade, um mesmo objetivo, uma só voz, um só destino comum... Uma verdadeira Comunidade Sul-americana de nações.

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