Aquele continente latino de paz e refugio, preservado durante quase toda a Guerra Fria e que esperou os desfechos políticos do fim da União Soviética e das duas Guerras do Golfo, agora figura como a “bola da vez” no cenário internacional, concentrando as atenções das principais potências mundiais com respeito aos mais diversos temas, que variam desde a proteção ambiental e das minorias até as alianças estratégicas entre importantes indústrias bélicas.Nesse contexto, a notícia da reativação da Quarta Frota Naval Americana, no último dia 28 de abril, com vocação para atuar em águas sul-americanas, encerra uma importante mensagem estratégica dos Estados Unidos para todo o mundo e, particularmente para a região, confirmando a tendência norte-americana a uma atuação cada vez mais hemisférica.
Ainda que, estranhamente, esse fato não tenha recebido grande repercussão na mídia, continua sendo alvo de preocupação nos círculos de estudos estratégicos, uma vez que essa mensagem vem em hora crítica para a América Latina, quando a região experimenta um importante impulso econômico, com a descoberta de reservas espetaculares de petróleo nas costas brasileiras e o aumento da demanda mundial por alimentos e biocombustíveis, ao mesmo tempo em que passa por instabilidades políticas e sociais de grandes proporções, causadas pelas ondas socializantes, pelo descontrole da narco-guerrrilha e pela insólita corrida armamentista.
Assim, enquanto Inglaterra anuncia seu interesse em explorar petróleo na região das Malvinas; França, Índia e Rússia buscam alianças estratégicas junto à indústria bélica brasileira; ONU e União Européia se preocupam cada vez mais com o tema indigenista e ambiental na Amazônia e os países da região buscam isolar Washington com a criação do Conselho Sul Americano de Defesa, os EUA informam, com a Quarta Frota, que não abriram mão de sua influência no subcontinente e, muito pelo contrário, já adiantaram as medidas de força, antes de empreender as ofensivas diplomáticas que certamente virão com mais vigor após a definição do novo mandatário da Casa Branca.
Portanto, assim como ocorreu na Guerra fria, os EUA demonstram estar dispostos a medir força com qualquer potência, antes de abrir mão de sua influencia na região e ter que recolher-se aos limites de seu território, ainda que seja à custa do bem-estar e da paz social dos latino-americanos. As mensagens estratégicas são sempre claras... Mesmo nas entrelinhas.

2 comentários:
A quarta frota está aí....
E agente discutindo se o indio brasileiro é mesmo brasileiro ou merece uma terra só pra ele.
A quarta frota se prepara...
E agente perde um dos senadores mais ilustres da república.
A quarta frota vem devagar...
E agente finge que nada está acontecendo.
Um dia ela chega...
E agente... Vai fazer o que?
Sera q a tecnologia naval sul americana "junta" pode se dispor com a quarta frota.?
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