Será o Apocalipse, ou a Hora da Virada?

12 de abril de 2008

Quando estudamos economia aprendemos que o nível de escassez de qualquer coisa é o fator que define o seu valor econômico. É a velha lei de mercado, também conhecida como lei da oferta e da procura.
Também quando seguimos mergulhando nesse tema, nos deparamos com a também velha, mas sempre presente Teoria Malthusiana, indicando que o planeta não pode crescer ou desenvolver-se além de suas possibilidades de sustentar esse processo.

Thomas Malthus, pastor anglicano e cientista social, lá no final do século XVIII, trouxe à luz o temor da fome universal, caso as população continuasse crescendo acima da capacidade mundial de produção de alimentos. Segundo esse senhor, somente um rigoroso controle de natalidade, de forma preventiva, ou então as guerras, as catástrofes naturais e as pestes, como reguladores naturais, poderiam solucionar o inevitável problema mundial.
Hoje, outra onda malthusiana ocupa novamente o cenário internacional, mas com uma nova roupagem. O aumento no preço dos alimentos e a ameaça de escassez nos países desenvolvidos, somados ao aumento da produção de biocombustível, deram início a uma série de pressões vindas dos mais diversos quadrantes, sobre os países agro-exportadores, como o Brasil. É a intocável e inexorável lei de mercado chocando-se com os cenários apocalípticos, ambos muito bem manejados pelas principais economias do mundo.
Afinal, dizem, estamos falando de alimento para a humanidade, de fome mundial, de apocalipse... Nada mais perfeito para pressionar ainda mais as economias em desenvolvimento, como Brasil, Índia e outros. A lei de mercado, nesses casos, não é tão intocável assim. Será um absurdo uma tonelada de farelo de soja custar 320 dólares, o mesmo que dois “pen-drivers”? Outro dia, pasmem, o Comitê Econômico e Social da União Européia divulgou um documento oficial, no qual faz referencia à necessidade de se controlar a produção de cana de açúcar no Brasil, sob a justificativa de que, além de avançar sobre áreas de preservação ambiental, contribui para diminuir a produção de alimentos.
Eis o problema. Eis uma oportunidade estratégica. O Brasil tanto pode se firmar como uma potencia exportadora de alimentos e biocombustíveis de forma racional e seguir valorizando esses commodities tão necessários ao mercado global, inclusive exportando tecnologia, ou pode ceder às pressões e continuar refém dos mecanismos internacionais de contenção do nosso desenvolvimento, arrastando atrás de si toda a América Latina, vista como muitos como uma grande fazenda à disposição da humanidade, onde basta vir, levar e comer.

2 comentários:

Anônimo disse...

El aumento del precio de los alimentos a nivel mundial es un hecho irreversible de la economía de mercado globalizada. Por eso, el desafío estratégico será: cómo despegar el consumo doméstico de alimentos (sobre todo en nuestros países en vías de desarrollo de economías con un importante nivel de agroexportaciones)de la demanda internacional. Es decir, que la población pueda acceder a una alimentación suficiente para un pleno desarrollo de su vida, sin que pague en plazas productoras (Brasil, Argentina) precios de mercados internacioales, donde tiene gran peso sobre el valor de los alimentos la escasez, la distancia de traslado, el precio del petróleo, la necesidad de nuevas fuentes energéticas ante la falta a futuro de hidrocarburos (como el reemplazo de tierra para alimentos por biocombustible) y la gigante especulación que hace a los agronegocios aumentar el precio de las semillas híbridas, los fertilizantes y los agrotóxicos del paquete industrial agrario.
Cuanto más industrializada sea nuestra producción agroganadera más dependeremos de los precios internacionales; en consecuencia, ese nuevo malthusianismo se impondrá en nuestras sociedades.
Son los grandes consorcios de la agroindustria (Cargill, Bunge, Dreyfus, Monsanto, Syngenta entre otros) los que determinan el modelo productivo en nuestros países, precisamente todas compañías "internacionales", por lo que su negocio NO es filantropia con nuestras poblaciones locales, su negocio es el comercio internacional de cada vez mayores precios.
¿Quién decidirá entonces sobre nuestro modelo agroproductivo? Una mayor expansión del actual modelo agrondustrial puede ser un caballo de Troya regalo de los nuevos Malthus del mercado.

Juan José Borrell
Argentina
ceuna@unr.edu.ar

Anônimo disse...

Meu amigo,
Para abastecer e disputar o mercado mundial é necessário uma agroindústria forte e, infelizmente, ela está nas mãos de grandes fortunas que acabam dominando o mercado, mas isso não impede de tirarmos proveito da situação. Os preços altos, segundo tenho lido, faz bem para a economia de países como os nossos. O negócio é regular o preço e a qualidade internamente. Para isso são eleitos os governantes, para por ordem na casa.
Tema bom para discutir e acompanhar.
Um abraço y saludos!
Ah! Não acho que seja o apocalipse.