O Conselho Sul-Americano de Defesa e o Sonho da Integração Regional

21 de março de 2008

Se Conselho fosse bom...
Começamos o ano com boas lições práticas de movimentos estratégicos no nível regional. A crise energética no Cone Sul, a quase guerra no antigo Vice Reino de Nova Granada, a ressurreição da OEA, os holofotes sobre o “Grupo do Rio”, o recuo estratégico de Hugo Chavez e, mais recentemente, a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, que o Brasil está propondo aos seus vizinhos.

Um amigo bem humorado veio com essa: “Se conselho fosse bom...”. É que as opiniões, como se tem observado, principalmente no meio acadêmico e na imprensa, são as mais diversas e com vários enfoques criativos para justificar ser contra ou a favor da criação do Conselho.
Os que são contrários argumentam que não é o momento; que vivemos uma crise sul-americana; que há muita diferença político-ideológica; que há abismos tecnológicos na região; que os EUA não aceitarão ficar de fora; que o Brasil não é o dono da América; etc. e etc.
Por outro lado, os que argumentam a favor dizem que é justamente esse o momento; que já estava demorando uma atitude de defesa conjunta; que sofremos as mesmas ameaças; que só seremos fortes se estivermos juntos; que temos um destino comum na América do Sul; que é a oportunidade para reduzir a ingerência norte-americana no subcontinente; etc. e etc.
Como se pode notar, cada um desses argumentos, sejam prós ou contra, serviria de base para escrever dezenas de livros e artigos, além de estimular producentes discussões sobre o tema. No entanto, para se ter uma visão mais abrangente do assunto é necessário decolar para um plano mais acima e pensar a estratégia em alto nível.
Portanto, se tomarmos como base a Constituição Brasileira e a firme disposição de buscar a integração sul-americana como um objetivo nacional e colocarmos isso em meio à conturbada realidade regional, onde os caminhos para a integração aparecem um tanto obscurecidos pelas crises de energia, pelas FARC, pelas radicalizações políticas, pelo armamentismo, pelo movimento ambientalista- indigenista e por tantos outros fatos, urge que se busquem soluções mais pragmáticas e menos ilusórias.
Assim, como uma grande alternativa às tentativas emperradas de integração, como o MERCOSUL, declarado como prescindível pelo ex-ministro Maílson da Nóbrega em recente conferência em Buenos Aires; o Pacto Amazônico, que está sendo incapaz de prevenir conflitos na selva e dar cabo das FARC; a Comunidade Andina de Nações, cujos membros entram e saem na medida de seus interesses; e outras, onde os objetivos sazonais acabam prevalecendo em detrimento das metas maiores, é que surge a idéia da criação do dito Conselho que, na prática, comprometerá os países de uma forma mais séria e estável, envolvendo planos comuns de defesa, exercícios militares, confiança mútua, vigilância ostensiva, desenvolvimento tecnológico, etc.
Finalmente, unidos por elos menos susceptíveis à ruptura, pois são fisicamente necessários e urgentes, os países sul-americanos podem começar a viver uma experiência integradora, nascida em suas próprias entranhas e que, além de acomodar algumas instabilidades locais, certamente arrastará os demais setores do poder nacional para a tão sonhada integração.
Esse Conselho parece ser bom... Só não sabemos se será de graça.

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