Falta um Discurso Estratégico

18 de abril de 2008

Estamos em um momento importante da história do mundo, onde, na verdade, não se tem idéia do futuro, não se tem certeza do presente e pairam dúvidas sobre o passado. O ambiente difuso que se apresenta no planeta é a um tempo inquietante e estimulante, na medida em que ninguém sabe ao certo o caminho a tomar.
Nesse contexto, não só o Brasil, como todas as nações, devem buscar fixar seus projetos futuros e, diante das incertezas, começar a desenvolver um discurso estratégico coerente com esses objetivos.

O Brasil já teve um discurso no século passado, no qual todos acreditavam e direcionava as ações do Estado: “Brasil será a potencia do século XXI”. Quem não se lembra? Crescemos, desenvolvemos, produzimos, suplantamos os próprios limites, alimentados por esse discurso, que nos foi entranhado desde a escola primária.
Hoje, não sei se todos percebem assim, não temos um discurso estratégico que nos oriente rumo ao futuro. Onde queremos chegar? Já somos a potencia do novo século? Não? Estamos quase lá...? Falta agora olhar mais adiante e sonhar um futuro novo. E não só sonhar, mas começar o discurso. Algo que inspire o imaginário de nossas crianças e jovens, um futuro pelo qual se apaixonem as forças empreendedoras e políticas do país e comece a orientar nosso labor diário.
Sêneca, filósofo romano do primeiro século, já nos alertava que "Se o homem não sabe a que porto se destina, nenhum vento lhe é favorável."
Falta esse discurso. Enquanto corremos atrás do rabo, na expectativa do que vai acontecer no curto prazo, se vem o apagão energético, se o Padre Lugo ganha no Paraguai, se a Bolívia se divide, se plantamos biocombustível, se ganha Barack Obama, etc. Isso não é estratégia de futuro, senão condução corrente que, para ser exitosa, teria que estar orientada por um discurso estratégico coerente e de longo prazo.
Falta esse discurso... O Brasil é um país jovem, mas já precisa saber o que quer ser quando crescer. E se já sabe, tem que contar a cada dia, a cada brasileiro, seu sonho de futuro, para que possamos, juntos, sonhar e trabalhar para por ele.

2 comentários:

Unknown disse...

Muito oportuno este artigo. Enquadra-se bem na crítica situação que ora ocorre na Reserva indígena Raposa Serra do Sol, onde políticas de governo se sobrepoem à adequadas políticas de Estado.

Anônimo disse...

Muito bom meu amigo!
A falta de visão estratégica é o buraco negro que traga os países mundo afora. Só que o Brasil, com o tamanho e potencial que tem, não pode passar para a história como o gigante que caiu no buraco.
Tá na hora e na vez da Amazônia!
Um abrraço da selva!