O Brasil e um Vagão Chamado Terra: Entendendo o processo de acomodação mundial.

9 de fevereiro de 2008

Imaginem um vagão de trem lotado, com dois policiais de estilos diferentes, armados até os dentes, zelando pela manutenção da ordem e do “status quo” no vagão. Ninguém podia sair do lugar ou mesmo se mexer, sem autorização dos guardas, que exerciam forte autoridade, garantindo, assim a cooperação de todos...

No entanto, um dos guardas resolveu abandonar a função, perdendo toda a sua influencia, deixando sozinho o outro para manter a ordem no vagão.
Em conseqüência, algumas pessoas começaram a se mexer e a experimentar mais liberdade, até que uma delas acerta uma pedrada no policial que tentava manter a ordem. Pronto, até agora o policial está à procura do agressor e o vagão em polvorosa.
Uns poucos que sabem do agressor se calam, outros aproveitam para se esticar, outros deflagram implicâncias com vizinhos, uns começam a juntar pedras, outros começam a falar demais, o guarda que desistiu tenta retomar sua autoridade, o policial em atividade já não sabe o que fazer com a dor de cabeça que lhe incomoda até às entranhas e a energia desprendida é tanta no pequeno vagão que já não se pode respirar direito...
Tirando a parte jocosa dos parágrafos acima, essa é a situação do mundo em processo de acomodação. Não precisamos identificar os personagens, basta dar asas à imaginação e seguir a história. O fato é que, dentro dessa nova realidade, todos precisam se posicionar, em um ambiente de cooperação, é claro, mas também de defesa de seus interesses e de seu bem-estar.
Essa acomodação não é, portanto, o fim da história, com a vitória do bem sobre o mau ou da democracia sobre todos os outros males. Não, o processo desencadeado aponta para um novo começo, para o desenho de uma nova configuração do sistema mundial, demandando dos países, principalmente daqueles com potencial natural de desenvolvimento (físico e humano), um trabalho sério de planejamento e articulação estratégica, de forma que possa aspirar por dias melhores no futuro.
Esse é o desafio do Brasil hoje. Um país com potencial de crescimento como poucos, e que necessita posicionar-se no tabuleiro estratégico mundial, em um contexto onde a defesa dos interesses nacionais, mais do que nunca, precisa nortear os discursos e as ações estratégicas dentro de um projeto sério de nação.

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