Bolívia, Apagão, Velas e Cobertores: Uma lição de planejamento estratégico.

16 de fevereiro de 2008

Depois de um longo período esquecida pelos meios de comunicação, a Bolívia polariza as atenções de observadores e estrategistas no cenário sul-americano, enquanto as fábricas de velas e cobertores estão aumentando seus estoques...

Por quê? Não se sabe ao certo. No entanto, já na primeira metade do século passado, um destacado geopolítico e militar brasileiro, o General Mario Travassos, alertava para a importância do nosso vizinho para os projetos de integração da América do Sul, ao afirmar que a condição geopolítica daquele país, conformava uma espécie de eixo ou soldadura do subcontinente, por sua capacidade física de conectar o Pacífico ao Atlântico e unir as Bacias Amazônica e a do Prata.
Essa opinião é compartida por muitos ainda hoje e, nesses novos tempos de integração energética, a Bolívia sensibiliza os olhares mais atentos, na medida em que crescem os seus problemas internos, que sua tendência política socialista se radicaliza e que a torneira do gás parece que não vai fornecer a vazão necessária para alimentar Brasil e Argentina, seus clientes praticamente exclusivos.
É dentro desse quadro, que o Brasil tem que se mexer na defesa de seus interesses, pressionado pelo fantasma do “apagão”, que anda assombrando o Planalto Central.
Ah! Como seria mais fácil, se nossos planejadores realmente estudassem o subcontinente e buscassem nas literaturas corretas as soluções para a antecipação estratégica...
Se hoje estamos nesse impasse, foi porque não soubemos conduzir uma relação estratégica de longo prazo com um país sensível como a Bolívia, o que nos leva a reagir aos fatos e a viver de sustos, perdendo completamente a iniciativa das negociações e navegando à mercê do imprevisto.
Assim, se vier o “apagão” e o inverno for mais frio para o brasileiro, a culpa não será da Bolívia, muito menos de São Pedro, mas da falta de planejamento estratégico e de condução estratégica, que nada mais é que deter a capacidade de antecipação. Por isso, enquanto se lê esse artigo, as fábricas de velas e cobertores, atentas ao que está acontecendo, seguem aumentando a produção...

2 comentários:

Anônimo disse...

La actual situación de Bolivia debe mantener a los países vecinos en estado de alerta: los recursos energéticos vienen teñidos de una confusa mixtura de rojo bolivariano, indigenismo y revancha. Con los pretextos de la estatización el gobierno de Morales-Linera avanza un proyecto más amplio de radical reestructuración de la sociedad, el cual podría tener consecuencias para toda la región. Escala un conflicto étnico-social donde peligra la unidad territorial boliviana y las imprevisibles arrebatos de uno u otro sector podría llevar a una extensión de la violencia hasta nuestras fronteras... incluso más acá también.
¿Están preparados los países de la región, sobre todo Brasil y Argentina,de sortear el probable corte del suministro energético a causa de una confrontación interna en Bolivia? ¿O para recibir a miles de refugiados? ¿Y una intervención redentora del Gran Hermano venezolano (como lo hace con Ecuador)?
El planeamiento estratégico conjunto sobre los asuntos energéticos es de vital importancia para la región; más es una cuestión que pasará a segundo plano de estallar una guerra civil en el vecino país. Las reacciones en cadena de ese tipo tienden a ser peligrosas...

Juan José Borrell
Argentina
ceuna@unr.edu.ar

Anônimo disse...

Gostei do Blog, parabéns!
Sobre a questão geopolítica eu não sei bem, mas estrategicamente, não precisa ser nenhum expert para saber que energia é fundamental. Ou se prepara para ter no futuro ou vai acabar comendo na mão do índio velho da Bolívia, que cobra muitos dólares para deixar explorar, produzir e consumir o seu rico gás.
Esse índio não quer mais apito.