Arquimedes. Uma Lição Estratégica

3 de agosto de 2008

“Dê-me um lugar para me firmar e um ponto de apoio para minha alavanca, que eu deslocarei a Terra”. (Arquimedes, século III a.C.)
A frase do cientista grego nos ensina muito mais do aquilo que aprendemos na física. Dela podemos tirar três lições estratégicas importantes.
A primeira e, talvez a mais importante, é que os grandes movimentos estratégicos são, por natureza, surpreendentes em seus efeitos, por romperem com regras e crenças pré-estabelecidas.

Em outras palavras, uma verdadeira alavancagem estratégica geralmente não se apóia em rotinas e conceitos pré-estabelecidos. Estes são comumente usados para se lograr, manter ou negociar um “status quo” ou uma situação de estabilidade.
A segunda lição está relacionada aos meios necessários. O lugar onde firmar-se e uma alavanca são indispensáveis para qualquer movimento estratégico de vulto. Não obstante, muitas vezes se quer “mover” uma organização ou um Estado com os meios de que dispomos. É a chamada estratégia reativa, ou adaptativa, que condiciona os interesses e políticas aos meios disponíveis. No entanto, existem os que preferem dedicar-se a tentar construir o futuro, desenvolvendo os meios e as condições necessárias, em tempo e espaço, para atingir seus interesses. Estes estão sempre três jogadas à frente e suas políticas sempre são desenvolvidas sob dois aspectos: o problema atual e a condição futura.
Aqui cabe uma explicação teórica sobre a definição de cenários, que é a base para a definição de qualquer estratégica. Um tipo de cenário é o descritivo, onde se apóiam as estratégias adaptativas ou de sobrevivência, que buscam a melhor forma de sobreviver no cenário atual e no porvir; o outro é o prescritivo, onde se apóiam os construtores de futuro, que buscam criar as condições futuras para lograr seus interesses. Arquimedes sabia que por si só não podia mover a terra, mas se as condições necessárias fossem criadas...
A terceira lição é a necessidade de um diligente trabalho de “prognosis” e inteligência estratégica, buscando conhecer os sistemas que interatuam, bem como o próprio sistema que se quer mover. É a busca do ponto de apoio, dos fatores ou setores precisos, muitas vezes invisíveis diante da complexidade dos sistemas, que precisa ser identificado e utilizado. Como diz Peter Senge em sua obra, A Quinta Disciplina, “... as zonas de alta alavancagem não são evidentes para a maioria dos integrantes de um sistema. Não estão próximas em tempo e espaço, em relação aos sintomas. Isso é o que torna a vida interessante...”.
Assim, Arquimedes nos aponta uma verdadeira teoria estratégica, onde está implícita uma série de ações de antecipação, tais como avaliação de risco, motivação, discurso estratégico, manobras interiores e exteriores, entre outras. Além disso, nos mostra que, em estratégia, as regras são ferramentas secundarias, que atuam sobre efeitos secundários, dentro de um planejamento superior. Por isso é arte. Por isso ele ansiava mover o mundo, talvez para ajustá-lo aos seus interesses... Não existe interesse impossível para quem conta com um bom planejamento estratégico.

2 comentários:

Anônimo disse...

Interessante a comparação, mas por que buscar em Arquimedes a relação com a estratégia.
Um abraço!
Rizo

Alex Vander disse...

Interessante sua pergunta.
A verdade é que o objeto central do artigo é apresentar o mecanismo de alavancagem de uma Estratégia de grandes resultados e, para isso, nada melhor que Arquimedes, que explica fisicamente como se dá o processo de alavancagem e o que se necessita para o sucesso dessa empresa.
Grato pelo comentário.
Alex Costa