O Ártico já tem Dono... E o Antártico?

6 de julho de 2008

O observador atento ficou sabendo da reunião que ocorreu em fins de maio passado na Groelândia, quando EUA, Rússia, Dinamarca, Canadá e Noruega começaram a decidir entre eles o futuro da exploração do continente Ártico, rico em petróleo e gás, matérias-primas de alto valor estratégico para o planeta.

Desde a iniciativa russa, no ano passado, de fazer explorações submarinas na região e fincar uma bandeira de titânio no fundo do mar gelado, reivindicando, claramente, sua soberania sobre aquele importante e pouco conhecido pedaço da Terra, analistas estratégicos em todo mundo iniciaram uma grande discussão a respeito do tema. Isso mostra que, enquanto alguns países executam movimentos de clara antecipação estratégica, outros reagem aos gritos ou sussurros, contra a “ousadia” desses países.
Hora, nem mesmo a ONU se manifestou, ou melhor, reserva sua manifestação para 2014, por meio da Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas, que vai definir quem terá direito a explorar aquelas riquezas geladas. No entanto, baixo o estímulo da real expectativa de degelo gradual e constante daquele continente, ao que parece, o pólo norte já está sendo loteado, bem como estão claras as intenções exploratórias dos “proprietários”.
Aqui em baixo, no entanto, o negócio não está congelado como se pensa...
Embora o Tratado da Antártida, assinado em primeiro de dezembro de 1959 e já prorrogado até o ano de 2041, pelo qual as várias nações que reivindicavam soberania sobre o continente abriram mão desse pleito em favor da exploração científica mundialmente compartilhada com outros signatários, hoje já se começa a ouvir outros discursos.
Para melhor entendimento, Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido são os sete países que permanecem reclamando soberania sobre a Antártica, enquanto EUA e Russia não reconhecem as restrições do Tratado, reservando-se o direito de também reclamar soberania sobre áreas daquele continente.
Nesse contexto, e com a presão da crise energética que ameaça toda a humanidade, a Inglaterra já anunciou seu interesse de explorar economicamente suas 200 milhas referentes às Malvinas, onde se supõe existir fartas reservas de petróleo e gás, chocando-se com os interesses Argentinos sobre aquele território e deflagrando uma espécie de “corrida de interesses” sobre a região.
Assim, deixando de lado as especulações, se possível, ratifica-se a percepção de que estamos diante de uma nova distribuição de “peças” no tabuleiro estratégico. Saber posicionar-se e acompanhar todos os movimentos, desde já, é fundamental para os “lances” posteriores.
Finalmente, essa questão Antártica nos força a lembrar que o Brasil possui uma posição geoestratégica privilegiada, já que se debruça sobre o Atlântico Sul e que dele se alimenta e sobrevive. Daí a necessidade de considerar, em alto grau, o estudo de sua geopolítica, como uma ferramenta essencial para orientar a estratégia nacional, pois quem não considera as imposições e os preceitos dessa disciplina, jamáis conhecerá suas próprias limitações e tão pouco suas possibilidades.

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