Tem Raposa na "Terra" do Sol

20 de abril de 2008

O fator psicosocial é, entre os campos do poder, o menos lembrado quando se fala em estratégia nacional. Pensa-se em política, economia, defesa, tecnologia, mas no tecido social, ah! Esse é adaptável às circunstancias. É a massa... Ignara e rude. Só para governo geral, o povo é o primeiro elemento a dar sentido a uma estratégia nacional, ele tem anseios e sonhos comuns de pátria e de destino...

Ele, o povo, sabe aonde quer chegar como nação, ainda que não se expresse no jargão acadêmico, e a classe dirigente deve ter a sensibilidade para perceber e dar forma estratégica a esse destino sonhado e que povoa o imaginário das gentes.
Dessa forma, se alguém quer conter, sorrateiramente, o destino de uma nação gigante como o Brasil, não basta pressiona-la política ou economicamente, nem desmantelar sua capacidade de defesa, mas terá que, obrigatoriamente, trabalhar para desagregar o seu povo, dividi-lo em etnias y classes, vender sonhos que não são os seus e comprar consciências em moeda corrente...
Portanto, quando as instituições do país começam a tratar seu povo por partes, discriminando-as pela cor, pela origem, pelo credo, pelo nível cultural ou por qualquer outra forma de segregação regulamentada, é sinal de que alguém está, sim, tentando conter os passos do gigante.
Um gigante sem igual, que habita uma terra de sol, cujos filhos carregam nas veias o sangue da Europa, da África e da América. Somos exatamente a descrição feita pelo filósofo Darci Ribeiro em seu livro O Povo Brasileiro: "No princípio eram principalmente índios nativos e uns poucos brancarrões importados. Depois, principalmente negros, vindos de longe, africanos. Mas logo, logo, veja só: eram multidões de mestiços, crioulos daqui mesmo".
Assim, se temos uma fortaleza a ser considerada, essa reside no povo, que há muito tempo não pode mais ser tratado de brancos, negros ou índios, até porque não somos mais brancos, negros ou índios, mas sim, e com orgulho, seus descendentes, um fenômeno antropológico, chamado “povo brasileiro”. Por isso, toda iniciativa para se criar quistos raciais ou culturais no país deve ser vista com todas as reservas e, sem trocadilhos, ter muito cuidado ao demarcá-las.

1 comentários:

Anônimo disse...

Foi o melhor artigo postado até agora, Preciso e poético.
Parabéns!
Parabés ao povo brasileiro!