A China está desenvolvendo mísseis anti-satélites.
Em 11 de dezembro de 2006, há muito pouco tempo, os chineses destruíram um satélite cuja órbita se encontrava a 850 Km da terra, acima da altitude dos principais satélites de observação e comunicações dos “invulneráveis” Estados Unidos.
Pouco tempo antes, o pentágono confirmou que um de seus satélites já havia sido “iluminado” por um sistema de armas chinês.
Será isso tudo o primeiro passo de uma corrida armamentista espacial? Será a confirmação incontestável da China como potência do terceiro milênio? Nada de novo, diriam alguns, afinal, isso já era esperado... Iria acontecer mais cedo ou mais tarde.
Ora, dentre os principais países emergentes, que são China, Índia, Brasil e África do Sul, o nosso país é o que mais está afastado de uma concepção lógica de desenvolvimento. É o que menos demonstra estar alinhado com os projetos de futuro de uma potência global ou mesmo regional.
Diante de fatos recentes como esse, vêm à tona questões da nossa “intimidade nacional” que não podem deixar de serem levantadas, são elas: como aspirar a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas? Como respaldar nossos posicionamentos políticos e econômicos no hemisfério e no âmbito global? Como sustentar, soberanamente, uma posição política sem temer a opinião dos mais fortes e, pior, como aceitar delírios de países mais débeis, sem ao menos se sentir seguro para dizer: “chega de abobrinhas”? Como ajudar no andamento da fundamental consolidação do MERCOSUL, se não há o respaldo de uma política de defesa Nacional compatível e coerente em suas ações práticas e aspirações? Como projetar-se no futuro, como país forte, sem investir hoje em tecnologia de ponta? Que tipo de empregos se está preparando para as futuras gerações? Serão empregos de alto nível ou continuaremos a pensar unicamente nas frentes de trabalho, nas obras de construção civil, na retro-alimentação da economia informal? Tudo isso faz parte da nossa agenda de defesa, que precisa ser discutida como tal.
A China, a par de nos alertar, demonstrou ser capaz de se consolidar como potência mundial neste século pois, fiel aos seus conselheiros militares do passado (eternamente atuais), sabe que um reino não se sustenta sem o respaldo e apoio da sua própria força. Sabe, pela simples leitura da história e dos jornais, que o mundo não está em paz, nunca esteve e nunca estará. Assim, é necessário estar em dia com sua “saúde física”.
A indústria bélica não é e nem pode ser um setor relegado da economia, assim como o investimento em Ciência e Tecnologia não pode ser irrisório. São prenúncios de passos largos de uma nação que aspira ser grande. São sinônimos de emprego de qualidade. É possibilidade de maior dinâmica social e bem-estar para a população que se beneficia de seus dividendos.
Ninguém, em sã consciência, quer a guerra ou vive a alimentá-la. No entanto, esse fantasma ronda a história do homem na face da terra e é parte da vida de toda sociedade. Por isso, envolvidos diretamente ou não, qualquer país se ressente dos efeitos da sua presença ou da sua ausência. É como uma realidade vital que exige reação, seja ela qual for, por parte das nações e das sociedades.
Sim, é claro que precisamos de saúde, justiça, habitação, educação, emprego etc, mas precisamos, antes de tudo, pensar estrategicamente sobre a chamada Defesa nacional que, para surpresa e espanto de muitos desavisados é assunto de todo cidadão e não só de militares, como se costuma pensar.
Segundo esse prisma, ao pensar a estratégia nacional e a defesa nacional, certamente aspectos como fome e miséria serão abordados e solucionados com objetividade prática, como condições básicas para o prosseguimento das metas maiores e não como sendo, como hoje são, fins absolutos de projetos imediatistas,.
Pode-se perguntar: em que a China é melhor? Em nada, até porque somos muito semelhantes em vários aspectos. No entanto, a despeito das críticas e pequenezas externas e internas, possuem um projeto de potência, um projeto de nação e consolidação de sua área de influência, exatamente o que nós não temos claro e, para desventura nossa, ainda nos assola uma espécie de “medo” de ter esse tipo de aspiração.
Assim, essa geração vivente precisa se levantar e rever esse pensamento pequeno que tem prevalecido nos ambientes políticos, econômicos e, tristemente, nos ambientes acadêmicos, onde as equações são formuladas, onde os pensadores se expõem e onde estão sendo forjados os líderes de amanhã. Pensar estrategicamente o país é uma imposição dos novos tempos. Da nossa e das futuras gerações.
Portanto, esse assunto é vital para todos e, em especial, para os nossos jovens que já começaram a pensar além do umbral da esfera individual. É um alerta aos profissionais, principalmente os da educação, para que se interem e entendam o que é Defesa Nacional, sua importância para a saúde da nação e para o equilíbrio entre o sonho e o possível. É um tema que permeia todas as áreas da nossa vida, pois se trata da condição primeira para um projeto de nação neste novo século.
A China, lembremos, só desenvolve armas anti-satélite porque tem um objetivo estratégico claro e um projeto de nação para o futuro que contempla a alta tecnologia a serviço de sua sociedade, aliada a uma sólida capacidade de se impor e ser respeitada entre as nações. Repito: não é um simples projeto militar, mas um projeto estratégico de nação forte.
Por fim, cabe aqui lançar o desafio: pensar o Brasil, e pensar grande! Pensar para além do tempo atual. Pensar estrategicamente. Pensar com ousadia e com consciência do que nosso país representa, precisa, pode e sonha.
A Defesa Nacional e o Exemplo Chinês
3 de fevereiro de 2008
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1 comentários:
Caro Alex, concordo em gênero, número e grau com a sua opinião. Quando exorta aos educadores, você aborda a principal questão que assola a defesa nacional Brasileira: a educação.
A falta de educação produz o egoísmo, pai da fome, do emprego informal e da má distribuição de renda; produz o corrupto, que rouba o bem comum; produz o "tráfico", que, com todas as suas nuances, aterroriza e escraviza os cidadãos em uma atmosfera de medo e inércia.
A missão de se criar uma Estratégia nacional, que dê um rumo, uma direção para que a nação siga em busca de um futuro próspero, é uma das terefas que considero das mais árduas... porque para fazê-lo é necessária a educação!!!!! Coisa que muito pouco dirigente em nosso país recebeu...
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